Emagrecimento & Metabolismo

Quantos Ovos Por Dia? A Verdade Sobre Ovo e Colesterol

Dr. Ronaldo Gorga··4 min de leitura
Quantos Ovos Por Dia? A Verdade Sobre Ovo e Colesterol

Para a maioria das pessoas saudáveis, comer de um a dois ovos por dia é seguro e não aumenta o risco de doença do coração. A maior análise já feita sobre o assunto, com mais de 1,7 milhão de pessoas, não encontrou associação entre um ovo por dia e doença cardiovascular. O colesterol do ovo importa muito menos do que se acreditava — o que pesa é o resto da dieta.

Poucos alimentos foram tão injustiçados quanto o ovo. Por décadas ele foi expulso do café da manhã em nome do colesterol, e ainda hoje encontro pacientes que separam a gema com culpa. A ciência mudou de ideia — e vale entender por quê.

Afinal, quantos ovos posso comer por dia?

Para a população geral e saudável, a resposta atual é tranquila: de um a dois ovos por dia se encaixam numa alimentação equilibrada sem sinal de dano cardiovascular. Não existe um número mágico universal, mas também não existe mais aquele teto rígido de "no máximo dois ovos por semana" que marcou os anos 1990.

As próprias diretrizes alimentares mais recentes deixaram de fixar um limite numérico rígido para o colesterol da dieta — justamente porque a evidência não sustentava o medo.

O colesterol do ovo aumenta o colesterol do sangue?

Aqui está o mal-entendido central. O colesterol que você come e o colesterol que circula no seu sangue não são a mesma conta. A maior parte do colesterol do corpo é fabricada pelo próprio fígado — e, quando você ingere mais colesterol na comida, o fígado tende a produzir menos, compensando.

O colesterol do ovo está concentrado na gema. Mas o que mais eleva o LDL (o colesterol associado a risco) na maioria das pessoas é a gordura saturada e o padrão geral da dieta, não o colesterol alimentar isolado. Detalhei essa distinção em colesterol: mitos e verdades.

O que a ciência mostra sobre ovo e coração?

Os dados grandes são tranquilizadores. Uma meta-análise conduzida por pesquisadores da Universidade Harvard e publicada no periódico The BMJ em 2020 reuniu mais de 1,7 milhão de participantes e concluiu que aumentar em um ovo por dia não se associou a maior risco de doença cardiovascular — nem de infarto, nem de AVC.

A mesma linha de pesquisa da Escola de Saúde Pública de Harvard, acompanhando mais de 215 mil pessoas por até 30 anos, chegou à mesma conclusão: consumo moderado de ovo, na faixa de até um por dia, não se associou a aumento de risco cardiovascular. É um corpo de evidência difícil de ignorar.

Então o ovo é vilão ou herói do café da manhã?

Quase sempre, o problema do "café da manhã com ovo" não é o ovo — é a companhia. Bacon, salsicha, pão branco e a fritura em óleo requentado são os verdadeiros suspeitos, e muitos deles entram na conta dos ultraprocessados.

O ovo, sozinho, é um dos alimentos mais completos que existem: proteína de altíssima qualidade, colina (importante para o cérebro), além de gorduras semelhantes às do abacate. Para quem treina ou quer preservar massa muscular, ele é uma forma barata de bater a meta diária de proteína — e um ovo no café da manhã, antes ou depois do treino, rende uma saciedade que atravessa a manhã.

Quem precisa ter um pouco mais de cautela?

Nem todo mundo responde igual. Uma minoria das pessoas são "hiper-respondedoras" — o colesterol do sangue sobe mais quando elas comem colesterol. E há sinais de que, em pessoas com diabetes tipo 2, a relação entre ovo e risco merece um olhar mais individual.

A mensagem não é "todo mundo pode comer ovo à vontade sem pensar", e sim "o ovo deixou de ser o inimigo padrão". Se você tem diabetes, colesterol de difícil controle ou histórico cardiovascular, o número certo de ovos é uma conversa com quem acompanha o seu caso — não uma regra de internet.

O que levar deste texto

O ovo foi condenado por uma conta errada. Para a maioria das pessoas saudáveis, de um a dois por dia são seguros, nutritivos e saciantes, e o colesterol da gema não é o motor do colesterol do sangue. Olhe para o prato inteiro, não para o ovo isolado. E se você tem alguma condição que muda essa equação e quer ajustar sua alimentação com critério, agende uma avaliação.

Fontes

  1. Drouin-Chartier JP, et al. "Egg consumption and risk of cardiovascular disease: three large prospective US cohort studies, systematic review, and updated meta-analysis." The BMJ, 2020 — PMC7190072
  2. Harvard T.H. Chan School of Public Health — "Moderate egg consumption not associated with higher cardiovascular disease risk" (2020)

Conteúdo educativo e informativo — não substitui consulta, diagnóstico ou tratamento médico individual. Procure sempre a orientação do seu médico. Em caso de emergência, ligue 192 (SAMU).


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Perguntas frequentes

Quantos ovos por dia é seguro?+

Para a maioria das pessoas saudáveis, de 1 a 2 ovos por dia é seguro. A maior meta-análise já feita, com mais de 1,7 milhão de pessoas, não encontrou associação entre um ovo por dia e doença cardiovascular. Quem tem diabetes ou colesterol de difícil controle deve individualizar com o médico.

Ovo aumenta o colesterol do sangue?+

O colesterol da dieta tem impacto muito menor no colesterol do sangue do que se imaginava. Na maioria das pessoas, o fígado ajusta a própria produção quando se come mais colesterol. O que mais eleva o LDL é a gordura saturada e o padrão geral da dieta, não o ovo em si.

Posso comer ovo todo dia?+

Sim, a maioria das pessoas pode. Estudos que acompanharam pessoas por até 30 anos não mostraram aumento de risco cardiovascular com um ovo diário. O ovo ainda entrega proteína de alta qualidade, colina e outros nutrientes.

Qual a forma mais saudável de comer ovo?+

O modo de preparo pesa mais que o ovo. Cozido, poché ou mexido com pouca gordura mantém o ovo como um alimento excelente. O problema costuma ser a companhia: bacon, salsicha, pão branco e frituras em óleo requentado.

Quem tem diabetes pode comer ovo?+

Pode, mas é o grupo em que a individualização importa mais. Alguns estudos sugerem que, em pessoas com diabetes, a relação entre ovo e risco merece um olhar mais cuidadoso. A recomendação prática é conversar com quem acompanha o seu caso.

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