Emagrecimento & Metabolismo

Dieta Low Carb: Como Fazer, O Que Comer e Para Quem Funciona

Dr. Ronaldo Gorga··5 min de leitura
Dieta Low Carb: Como Fazer, O Que Comer e Para Quem Funciona

Fazer dieta low carb é reduzir o carboidrato do dia para algo entre 100 g e menos de 50 g, cortando principalmente açúcar, farinha branca, arroz, pão e massa, e colocando no lugar proteína, gordura boa e vegetais. Não existe uma única low carb: existe um espectro. E o grau de restrição que funciona para você depende de quanto você consegue sustentar.

No consultório, low carb é provavelmente o assunto sobre o qual eu mais desfaço extremos. De um lado, quem acha que é a resposta para tudo. Do outro, quem acha que cortar pão é perigoso. A verdade, como quase sempre, mora no meio — e é bem mais útil.

O que é dieta low carb, afinal?

A Diretriz da Sociedade Brasileira de Diabetes é bem objetiva nesse ponto: o termo "low carb" inclui dietas que ofertam desde 100 g até menos de 50 g de carboidrato por dia. Para dar referência, uma alimentação brasileira comum costuma passar dos 250 g diários.

Isso significa que existem níveis:

  • Low carb moderada (em torno de 100 g/dia). É onde a maioria das pessoas deveria começar. Você tira o açúcar, o refrigerante e o pão branco, mantém uma porção de arroz ou tubérculo, e a vida segue.
  • Low carb estrita (50 a 100 g/dia). Exige mais planejamento. Costuma dar resultado metabólico mais rápido.
  • Abaixo de 50 g/dia. Já é território cetogênico, com regras próprias e mais efeitos colaterais no início.

A mesma diretriz alerta que dietas muito pobres em carboidrato podem levar à cetose e são contraindicadas em gestantes e lactantes. Não é detalhe: é o tipo de informação que raramente aparece no post de rede social que promete resultado em duas semanas.

Low carb emagrece mais do que outras dietas?

Aqui vem o dado que costuma frustrar os entusiastas — e que eu considero libertador.

O ensaio DIETFITS, publicado no JAMA em 2018, acompanhou 609 adultos com sobrepeso durante 12 meses, dividindo-os entre uma dieta low carb saudável e uma dieta low fat saudável. O resultado: perda de 6,0 kg no grupo low carb contra 5,3 kg no grupo low fat. A diferença de 0,7 kg não foi estatisticamente significativa. Os pesquisadores ainda testaram se o perfil genético ou a secreção de insulina previam quem se daria melhor com cada dieta — e nenhum dos dois previu.

Traduzindo para a vida real: não existe a dieta certa, existe a dieta que você mantém. Quem emagrece é quem sustenta um déficit calórico por tempo suficiente, e a low carb é uma das formas de chegar lá — não a única.

Se ela ajuda tanta gente, é por um motivo prático: cortar carboidrato refinado derruba a fome. Proteína e gordura saciam mais, o pico de glicose some, e você acaba comendo menos sem contar caloria. É um atalho comportamental, não uma vantagem metabólica mágica.

Para quem a low carb funciona melhor?

Pela minha experiência clínica, ela costuma render mais em três perfis:

  • Quem tem resistência à insulina ou insulina alta. Reduzir a carga de carboidrato tira o pé do acelerador justamente onde o problema está.
  • Quem tem fome descontrolada à tarde e à noite. O ciclo pico-e-queda de glicose alimenta essa fome.
  • Quem tem triglicerídeos altos ou gordura no fígado. São os marcadores que mais respondem rápido à retirada de açúcar e farinha.

E costuma render menos em quem treina em volume alto, em quem já come pouco carboidrato refinado, e em quem simplesmente odeia a ideia — porque adesão zero é resultado zero.

Como fazer low carb na prática

O passo a passo que eu uso com meus pacientes é bem menos dramático do que a internet sugere:

  1. Comece pelo líquido. Refrigerante, suco e café adoçado saem primeiro. Só isso já derruba dezenas de gramas de açúcar — e vale aprender a reconhecer o açúcar escondido nos rótulos.
  2. Depois, o carboidrato refinado. Pão branco, biscoito, salgadinho, massa. Os ultraprocessados concentram o pior de tudo em um pacote só.
  3. Ancore cada refeição na proteína. Ovo, carne, peixe, frango. Sem isso, a low carb vira só uma dieta de restrição com fome. Deixei as quantidades em quanta proteína por dia.
  4. Encha o prato de vegetais. Folhas, brócolis, abobrinha, berinjela. Eles entregam volume e fibra com pouquíssimo carboidrato — o mesmo princípio da dieta volumétrica.
  5. Escolha bem a gordura. Azeite, abacate, oleaginosas, peixe. Não é licença para bacon em todas as refeições.
  6. Mantenha o que você consegue manter. Uma low carb de 100 g sustentada por um ano vence uma de 30 g abandonada em três semanas.

Os erros que eu mais vejo

Cortar carboidrato e não aumentar proteína. É a receita para perder músculo junto com gordura e travar o metabolismo depois.

Trocar pão por "produto low carb". Barrinha, pão e chocolate com selo low carb continuam sendo ultraprocessados. Comida de verdade não precisa de rótulo.

Achar que gordura é ilimitada. Caloria continua existindo. Low carb reduz a fome, mas não revoga a termodinâmica.

Desistir na primeira semana. Os primeiros dias podem trazer cansaço e dor de cabeça enquanto o corpo se adapta. Melhora — e beber mais água e não cortar sal ajuda muito nessa fase.

O que levar deste texto

Low carb é uma ferramenta boa, não uma religião. A ciência mostra que ela empata com outras estratégias no longo prazo, e que o fator decisivo é a adesão. Se cortar açúcar e farinha te deixa mais saciado, mais disposto e com exames melhores, é uma excelente escolha para você. Se te deixa infeliz e ansioso por pão, existem outros caminhos igualmente válidos — e um deles pode ser ajustar o horário das refeições em vez do prato.

Se você quer definir qual nível de carboidrato faz sentido para o seu caso, com base nos seus exames e na sua rotina, agende uma avaliação.

Fontes

  1. Sociedade Brasileira de Diabetes — Terapia nutricional no pré-diabetes e no diabetes mellitus tipo 2 (Diretriz SBD)
  2. Gardner CD, et al. Effect of Low-Fat vs Low-Carbohydrate Diet on 12-Month Weight Loss: The DIETFITS Randomized Clinical Trial. JAMA, 2018

Conteúdo educativo e informativo — não substitui consulta, diagnóstico ou tratamento médico individual. Procure sempre a orientação do seu médico. Em caso de emergência, ligue 192 (SAMU).


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Perguntas frequentes

Quantos gramas de carboidrato por dia é low carb?+

Segundo a Diretriz da Sociedade Brasileira de Diabetes, o termo low carb abrange dietas que ofertam de 100 g até menos de 50 g de carboidrato por dia. Acima disso já é uma alimentação de carboidrato moderado. Abaixo de 50 g entra no território cetogênico, que é mais restritivo e exige acompanhamento.

Low carb emagrece mais que dieta com pouca gordura?+

No prazo de um ano, não de forma significativa. O ensaio DIETFITS, publicado no JAMA em 2018 com 609 adultos, comparou low carb e low fat e encontrou perda de 6,0 kg contra 5,3 kg — uma diferença de 0,7 kg que não foi estatisticamente significativa. O que decide o resultado é a adesão, não o macronutriente.

Posso comer fruta na dieta low carb?+

Pode. Frutas com menor carga de carboidrato, como abacate, morango, framboesa e amora, cabem com folga. Frutas mais doces entram em porções menores. Cortar fruta por completo é um erro comum que só torna a dieta mais difícil de manter e mais pobre em fibra.

Quem não deve fazer dieta low carb?+

A Diretriz da Sociedade Brasileira de Diabetes contraindica dietas muito pobres em carboidrato para gestantes e lactantes. Pessoas com doença renal, com transtorno alimentar ou que usam medicações para diabetes também precisam de avaliação médica antes, porque a restrição pode exigir ajuste de dose.

Low carb faz mal para o colesterol?+

Depende do que entra no lugar do carboidrato. Se a substituição for por azeite, peixe, oleaginosas e ovos, o perfil lipídico costuma melhorar, especialmente os triglicerídeos. Se for por embutidos e frituras, o LDL pode subir. A qualidade da gordura escolhida importa mais que o rótulo da dieta.

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