Emagrecimento & Metabolismo

Os Muitos Nomes do Açúcar nos Rótulos: Como a Indústria Esconde o Doce

Dr. Ronaldo Gorga··5 min de leitura
Os Muitos Nomes do Açúcar nos Rótulos: Como a Indústria Esconde o Doce

Para achar açúcar escondido no rótulo, leia a lista de ingredientes inteira e some todos os nomes de açúcar. Sacarose, glicose, frutose, dextrose, maltose, xaropes, açúcar invertido, melado e concentrado de suco são açúcares adicionados. E olhe a linha "açúcares adicionados" da tabela nutricional, que desde 2020 é obrigatória no Brasil.

Você vira a embalagem de um produto "fit", procura açúcar nos primeiros ingredientes e não encontra. Alívio? Pode ser cedo demais. Como a lista é ordenada por quantidade, usar vários tipos de açúcar faz cada um aparecer mais abaixo, mesmo que somados sejam o principal componente do produto. Aprender a decifrar esses nomes é uma das habilidades mais úteis para quem quer comer melhor.

Por que o açúcar aparece com tantos nomes?

Existem de fato vários açúcares e xaropes diferentes, com origem e processo distintos. Mas há um efeito colateral: a lista de ingredientes é ordenada do maior para o menor. Se o açúcar entrasse como um único item, muitas vezes ficaria no topo. Dividido em três, quatro ou cinco tipos, cada um desce na lista, e o olho desatento não faz a soma.

Isso não é ilegal, e nem todo fabricante faz com má intenção. Mas o resultado para o consumidor é o mesmo: fica difícil saber o quanto de açúcar o produto tem sem fazer a conta.

Quais são os nomes do açúcar nos rótulos?

Guarde esta tabela:

CategoriaNomes no rótulo
Açúcares clássicosSacarose, glicose, frutose, dextrose, maltose, lactose
XaropesXarope de glicose, xarope de milho, xarope de milho de alta frutose, xarope de agave
"Naturais" (mas ainda açúcar)Mel, melado, açúcar de coco, açúcar mascavo, néctar de agave, suco de cana evaporado
DisfarçadosAçúcar invertido, concentrado de suco de fruta, sólidos de xarope de milho, maltodextrina

Regra de bolso: muitas palavras terminadas em "-ose" são açúcar. Mas não confie só nela: xaropes, melado e concentrados de suco de fruta também contam como açúcar adicionado, por mais "natural" que o nome soe.

O que mudou no rótulo brasileiro?

A norma da Anvisa (RDC 429/2020 e IN 75/2020) trouxe duas ferramentas que ajudam:

  • Tabela nutricional com açúcares totais e adicionados, por 100 g ou 100 mL e por porção. A linha "adicionados" é a que mais interessa, porque separa o açúcar que o fabricante colocou do que já existia no alimento.
  • Lupa "alto em açúcar adicionado" na frente da embalagem, obrigatória a partir de 15 g por 100 g em alimentos sólidos ou 7,5 g por 100 mL em líquidos (os limites estão no documento de perguntas e respostas da Anvisa).

Atenção: produto sem lupa não é "sem açúcar". Ele pode ter bastante açúcar e ainda ficar abaixo do limite, principalmente se a porção for pequena. A lupa é um alerta de excesso, não um atestado de ausência.

Açúcar de coco, mel e agave são mais saudáveis?

Um dos mitos que mais desfaço no consultório: açúcar de coco, agave e mel viram "açúcares saudáveis". Alguns têm traços de minerais, mas, como açúcares adicionados, entram na mesma conta. Não conheço evidência sólida de que trocar o açúcar branco por eles traga benefício metabólico relevante. Se você gosta do sabor, tudo bem; só não trate como liberado.

Por que o açúcar adicionado importa para a saúde?

Na revisão de Stanhope, o consumo excessivo de açúcar adicionado é associado a gordura no fígado, alterações de colesterol e triglicerídeos, resistência à insulina, ácido úrico elevado, doença cardiovascular e diabetes tipo 2. Parte disso passa pela frutose, metabolizada pelo fígado, o que conecta o tema à gordura no fígado e à resistência à insulina.

A Organização Mundial da Saúde recomenda que os açúcares livres fiquem abaixo de 10% da energia diária (cerca de 50 g para quem consome 2.000 kcal) e diz que reduzir para 5% ou menos pode trazer benefício adicional, segundo a ficha sobre alimentação saudável.

O que a evidência ainda não sabe

O tema ainda tem debate. A revisão de Rippe e Angelopoulos argumenta que ensaios randomizados não mostram os efeitos adversos de açúcar em níveis habituais da dieta, e que o problema aparece em doses muito altas. Ou seja: a controvérsia é sobre quanto é demais, não sobre se o excesso faz mal. Também é difícil separar o efeito do açúcar do efeito do alimento ultraprocessado como um todo, já que o açúcar costuma vir junto de gordura, sal e aditivos. Quem quiser entender essa categoria encontra uma definição no guia de Monteiro e colegas e na nossa explicação sobre ultraprocessados.

O açúcar do rótulo é sempre ruim?

Não. Frutas e leite contêm açúcares naturais, acompanhados de fibra, água, proteína e micronutrientes que mudam a forma como o corpo lida com eles. O foco é o açúcar adicionado, típico de ultraprocessados.

Como usar isso no supermercado

  1. Leia a lista de ingredientes inteira, não só o começo.
  2. Conte os nomes de açúcar: se aparecem três ou mais, é sinal de açúcar fatiado.
  3. Olhe a lupa frontal e a linha de açúcares adicionados na tabela.
  4. Desconfie de "fit", "natural" e "sem açúcar refinado": às vezes trocaram o nome, não a quantidade.
  5. Compare por 100 g, não por porção, porque o tamanho da porção varia entre marcas.

Essa leitura crítica ajuda quem busca emagrecimento saudável e quer entender o papel do açúcar na saúde metabólica.

Se você quer montar uma alimentação que controle o açúcar de verdade, ajustada ao seu metabolismo e aos seus exames, agende uma avaliação e vamos construir juntos o seu plano de emagrecimento saudável e metabolismo.

Fontes

  1. Organização Mundial da Saúde — Healthy diet (fact sheet, recomendação sobre açúcares livres)
  2. Anvisa — Perguntas e respostas: rotulagem nutricional (RDC 429/2020 e IN 75/2020)
  3. Stanhope KL — Sugar consumption, metabolic disease and obesity: the state of the controversy (Crit Rev Clin Lab Sci, 2016)
  4. Rippe JM, Angelopoulos TJ — Sugars, obesity, and cardiovascular disease: results from recent randomized control trials (Eur J Nutr, 2016)
  5. Monteiro CA et al. — Ultra-processed foods: what they are and how to identify them (Public Health Nutr, 2019)

Conteúdo educativo e informativo — não substitui consulta, diagnóstico ou tratamento médico individual. Procure sempre a orientação do seu médico. Em caso de emergência, ligue 192 (SAMU).


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Perguntas frequentes

Por que existem tantos nomes diferentes para o açúcar nos rótulos?+

Em parte porque existem de fato vários açúcares e xaropes (sacarose, glicose, frutose, maltose, xarope de milho). Mas, como a lista de ingredientes é ordenada do maior para o menor, usar vários tipos de açúcar faz cada um aparecer mais abaixo, o que pode esconder o quanto o produto tem de açúcar no total.

Quais nomes indicam açúcar escondido no rótulo?+

Sacarose, glicose, frutose, dextrose, maltose, xarope de glicose, xarope de milho, xarope de milho de alta frutose, açúcar invertido, melado, mel, néctar ou xarope de agave, açúcar de coco, suco de cana evaporado, maltodextrina e concentrado de suco de fruta. Palavras terminadas em '-ose' costumam indicar açúcar, mas nem todo açúcar escondido segue essa regra: xarope, melado e concentrado de suco também entram na conta.

Açúcar de coco, mel e agave são mais saudáveis que o açúcar comum?+

Não há evidência de que sejam uma escolha de saúde melhor: continuam sendo açúcares adicionados e, em excesso, entram na mesma conta. Eles podem ter traços de minerais, mas em quantidades pequenas demais para compensar. Se você usa, trate como açúcar e use pouco.

Como saber quanto açúcar adicionado um produto tem?+

Desde a norma da Anvisa (RDC 429/2020), a tabela nutricional passou a declarar açúcares totais e açúcares adicionados, por 100 g ou 100 mL e por porção. A lupa 'alto em açúcar adicionado' é obrigatória a partir de 15 g por 100 g em sólidos ou 7,5 g por 100 mL em líquidos.

Todo açúcar do rótulo é ruim?+

Não. Frutas e leite contêm açúcares naturais, acompanhados de fibra, água e nutrientes. O foco da preocupação é o açúcar adicionado em excesso, típico de ultraprocessados. A Organização Mundial da Saúde recomenda que os açúcares livres fiquem abaixo de 10% da energia diária, e que reduzir para menos de 5% pode trazer benefício adicional.

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