Gastrite: Sintomas, Causas e o Que Comer Para Aliviar

Gastrite é a inflamação da mucosa do estômago. Pode causar queimação, dor na parte alta do abdômen, estufamento e náusea, e as causas mais comuns são a bactéria H. pylori, o uso de anti-inflamatórios e o excesso de álcool. Sintoma persistente merece avaliação médica, não só antiácido.
"Estou com gastrite" é uma das frases mais ditas no consultório, muitas vezes sem que ninguém tenha feito exame. A palavra virou sinônimo de qualquer desconforto no estômago. Tecnicamente, gastrite é um diagnóstico específico, e entender a causa muda o tratamento.
Quais são os sintomas de gastrite?
- Dor ou queimação na parte alta do abdômen (a "boca do estômago");
- Sensação de estufamento e de estar cheio rápido demais;
- Náusea, às vezes vômito;
- Azia e arroto frequente.
O problema é que esses sintomas são inespecíficos. Podem ser gastrite, refluxo, úlcera ou até problema de vesícula. E há gastrites que não dão sintoma nenhum. Para diferenciar de refluxo, veja o artigo sobre azia e refluxo: causas e tratamento.
O que causa gastrite?
- Infecção por H. pylori. É a causa mais estudada.
- Anti-inflamatórios (ibuprofeno, diclofenaco, aspirina), usados com frequência ou em jejum.
- Álcool em excesso. Veja existe dose segura de álcool.
- Cigarro.
- Estresse intenso, que agrava os sintomas, e o estresse crônico é um dos fatores que mais vejo piorarem o quadro.
- Doenças autoimunes e refluxo de bile, em menor frequência.
Qual a importância da H. pylori?
A bactéria é muito comum. Uma publicação brasileira de 2024 lembra que cerca de metade da população mundial está infectada, com taxas maiores em países em desenvolvimento. Num hospital público de Recife, 71 de 147 pacientes (48%) testaram positivo, e entre eles apareceram alterações como atrofia e metaplasia. Em outro estudo brasileiro de 2025, no interior da Bahia, a prevalência de infecção foi de 56,8%.
Ter H. pylori não significa ter sintoma, nem que algo grave vai acontecer. Mas a infecção crônica é fator de risco reconhecido para úlcera e câncer gástrico. Um ensaio clínico publicado na Nature Medicine em 2024 acompanhou 180.284 pessoas por 11,8 anos na China. Quem recebeu tratamento contra a bactéria teve redução modesta na incidência de câncer gástrico (razão de risco 0,86), e o efeito foi mais forte em quem teve erradicação bem-sucedida (0,81). É um argumento para investigar quando há indicação, não um motivo para tratar todo mundo por conta própria.
Quando investigar com endoscopia ou teste da bactéria?
Vale procurar o médico quando:
- Os sintomas duram semanas e não melhoram;
- Há perda de peso sem explicação, vômitos persistentes ou dificuldade para engolir;
- Há fezes escuras ou vômito com sangue (urgência);
- Você usa anti-inflamatório com frequência;
- Há histórico familiar de câncer de estômago.
O diagnóstico da H. pylori pode ser feito por teste respiratório da ureia, exame de fezes ou biópsia durante a endoscopia. Atenção: o uso de inibidores de bomba e de antibióticos pode atrapalhar o resultado, então siga a orientação do laboratório sobre o preparo.
O que comer (e evitar) com gastrite?
Não existe "dieta da gastrite" universal. O que a prática mostra:
- Evite o que irrita: álcool, cigarro, excesso de café em jejum e pimenta, se piora para você.
- Fracione as refeições e coma devagar.
- Prefira alimentos simples e menos gordurosos durante a crise.
- Cuide da saúde intestinal: veja o guia de saúde intestinal e microbiota.
- Observe, sem radicalismo. Cortar muitos alimentos sem necessidade piora a qualidade da alimentação.
Se o estufamento é o sintoma dominante, o artigo sobre barriga inchada: o que pode ser pode ajudar.
E os remédios para o estômago?
Protetores gástricos e antiácidos aliviam, mas mascaram a causa se usados sem diagnóstico. Uso prolongado de qualquer remédio deve ter indicação e acompanhamento. Não estou aqui para prescrever; a escolha cabe ao seu médico.
Se o desconforto no estômago virou companheiro de rotina, agende uma avaliação para descobrir a causa em vez de tratar só o sintoma.
Fontes
- Gastric cancer prevention by community eradication of Helicobacter pylori: a cluster-randomized controlled trial (Nat Med, 2024)
- Prevalence of cagA, cagM, vacA and oipA genes in isolates of Helicobacter pylori obtained from hospital patients in Northeast Brazil (Braz J Microbiol, 2024)
- Prevalence of Helicobacter pylori cagA virulence factor and validation of serological tests in a population from Northeastern Brazil (Braz J Med Biol Res, 2025)
Conteúdo educativo e informativo — não substitui consulta, diagnóstico ou tratamento médico individual. Procure sempre a orientação do seu médico. Em caso de emergência, ligue 192 (SAMU).
Perguntas frequentes
Quais são os sintomas de gastrite?+
Os mais comuns são dor ou queimação na parte alta do abdômen, sensação de estufamento, náusea, saciedade precoce e azia. Mas os sintomas não distinguem bem a gastrite de outras condições, e há gastrites sem sintoma algum. Por isso o diagnóstico depende de avaliação médica e, em alguns casos, de endoscopia.
Gastrite tem cura?+
Depende da causa. Quando é provocada por H. pylori, tratar a infecção resolve a causa. Quando vem de anti-inflamatórios, álcool ou estresse, o controle passa por retirar o fator irritante. Os remédios para proteção gástrica devem ser indicados pelo médico.
Toda gastrite é causada por H. pylori?+
Não. A bactéria é uma causa importante, mas anti-inflamatórios, consumo excessivo de álcool, cigarro, refluxo de bile e doenças autoimunes também provocam gastrite. Em estudos brasileiros recentes, quase metade dos pacientes avaliados em um hospital de Recife estava infectada.
Gastrite vira câncer?+
Na grande maioria dos casos, não. A infecção crônica por H. pylori é um fator de risco reconhecido para câncer gástrico, e um grande ensaio chinês com 180 mil pessoas mostrou queda modesta de incidência com a erradicação da bactéria. É um motivo para investigar, não para entrar em pânico.
O que não pode comer quem tem gastrite?+
Não existe uma lista universal. O que costuma piorar os sintomas é álcool, excesso de café em jejum, alimentos muito gordurosos e condimentados e cigarro, mas a tolerância varia. O melhor método é observar o que desencadeia os seus sintomas e conversar com o médico.
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