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Hortelã Pode Melhorar o Desempenho Atlético? O Que Mostram os Estudos

Dr. Ronaldo Gorga··4 min de leitura
Hortelã Pode Melhorar o Desempenho Atlético? O Que Mostram os Estudos

Você já deve ter visto atletas amadores cheirando um sachê de mentol ou mascando folha de hortelã antes de uma corrida. Não é só sensação de frescor — existe uma linha de pesquisa real, ainda em construção, investigando se a hortelã (menta) tem algum efeito sobre o desempenho físico. A resposta honesta: há sinais interessantes, mas a evidência ainda é preliminar — vamos ao que se sabe até agora.

O que a pesquisa já investigou

Um dos estudos mais citados sobre o tema (Meamarbashi & Rajabi, 2013) avaliou atletas que inalaram óleo essencial de hortelã antes de testes de exercício e encontrou melhora em alguns parâmetros respiratórios e de desempenho, além de redução na percepção subjetiva de esforço. Outros estudos menores exploraram efeitos semelhantes com resultados mistos — alguns replicam achados parecidos, outros não encontram diferença significativa.

O ponto importante: são, em geral, estudos pequenos, com poucos participantes, o que limita a força das conclusões. É um campo promissor, mas ainda longe de ter o nível de evidência robusta que recursos ergogênicos consagrados, como a cafeína, já acumularam ao longo de décadas.

Por que a hortelã poderia ter algum efeito

O composto central é o mentol, presente na hortelã, que ativa receptores sensoriais específicos (receptores TRPM8) nas vias aéreas e na pele. Essa ativação gera uma sensação de ar mais fresco e de vias respiratórias mais desobstruídas — mesmo quando não há uma mudança real e substancial no fluxo de ar medido objetivamente. Essa percepção de "respirar melhor" pode reduzir a sensação subjetiva de cansaço ou falta de ar durante o esforço, o que teoricamente ajudaria a sustentar o ritmo por mais tempo.

Ou seja: o efeito parece estar mais ligado à percepção do esforço do que a uma alteração fisiológica robusta e comprovada — algo parecido, em espírito, com outros mecanismos sensoriais que influenciam desempenho sem alterar diretamente a capacidade física máxima.

Como isso foi testado, na prática

Nos estudos disponíveis, as formas mais comuns de uso foram:

  • Inalação do aroma do óleo essencial de hortelã antes ou durante o exercício;
  • Ingestão de água com extrato ou óleo de hortelã em concentração muito baixa.

Formas mais acessíveis no dia a dia — como mascar folha de hortelã fresca ou tomar um chá antes do treino — não replicam exatamente a concentração usada nos estudos, mas são intervenções seguras e de baixo custo para quem quiser experimentar, sem expectativa de um efeito garantido.

O que não fazer

Não ingira óleo essencial concentrado diretamente sem orientação — pode irritar mucosas e vias digestivas. E vale um alerta para quem tem refluxo significativo: a hortelã pode relaxar o esfíncter esofágico inferior e piorar os sintomas em pessoas predispostas, então nesse grupo o benefício potencial pode não valer o desconforto.

Hortelã x cafeína: colocando em perspectiva

Vale deixar claro: hortelã não está no mesmo patamar de evidência que a cafeína como recurso ergogênico. A cafeína tem décadas de estudos robustos, com efeito consistente e mensurável em diferentes tipos de exercício — é hoje uma das estratégias mais bem estabelecidas para melhorar performance, algo que se conecta a outras estratégias que já detalhei sobre treino em jejum e alimentação pré-treino. A hortelã, por ora, é mais um complemento de baixo risco e evidência preliminar do que uma estratégia central de performance.

Conclusão

A hortelã tem uma linha de pesquisa real e interessante sobre desempenho atlético, ligada principalmente à sensação respiratória e à percepção de esforço — não a uma mudança fisiológica comprovada e robusta. É seguro experimentar (chá, folha mascada, óleo essencial por inalação), mas não é um substituto de estratégias com evidência mais forte, como boa nutrição, sono e — quando apropriado — cafeína. Ciência séria é sobre calibrar a expectativa ao tamanho real da evidência, nem mais, nem menos.

Se você quer estruturar seu treino e recuperação com estratégias que realmente têm respaldo científico para o seu objetivo, vamos conversar em uma avaliação individual e montar o seu plano de performance física e cerebral.

Fontes

  • Meamarbashi A, Rajabi A. The effects of peppermint on exercise performance. Journal of the International Society of Sports Nutrition. 2013;10(1):15.
  • Meamarbashi A. Instant effects of peppermint essential oil on the physiological parameters and exercise performance. Avicenna Journal of Phytomedicine. 2014;4(1):72-78.
  • Eccles R. Menthol and related cooling compounds. Journal of Pharmacy and Pharmacology. 1994;46(8):618-630.
  • Norte GE, et al. Acute effects of aromatic supplementation on athletic performance: a scoping review. Sports science literature review.
  • Farco JA, Grundmann O. Menthol — pharmacology of an important naturally medicinal "cool". Mini Reviews in Medicinal Chemistry. 2013;13(1):124-131.

Conteúdo educativo e informativo — não substitui consulta, diagnóstico ou tratamento médico individual. Procure sempre a orientação do seu médico. Em caso de emergência, ligue 192 (SAMU).


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Perguntas frequentes

A hortelã realmente melhora o desempenho no exercício?+

Existem estudos preliminares — a maioria pequenos, com poucos participantes — sugerindo que a inalação ou o consumo de óleo essencial de hortelã (menta) pode estar associado a melhora em alguns parâmetros respiratórios e a uma redução na percepção de esforço durante o exercício. Os resultados são promissores, mas não definitivos: são estudos de tamanho pequeno, e nem todas as pesquisas encontram o mesmo efeito. Não é um recurso ergogênico com o mesmo nível de evidência que a cafeína, por exemplo.

Como a hortelã seria usada para performance esportiva?+

Nos estudos existentes, o uso mais comum foi inalação do aroma do óleo essencial de hortelã antes ou durante o exercício, ou ingestão de água com extrato/óleo de hortelã em baixíssima concentração. Mascar folha de hortelã ou beber chá antes do treino é a forma mais acessível e segura de testar, embora replique menos exatamente o que foi usado nos estudos com óleo essencial concentrado.

Por que a hortelã poderia ajudar na respiração durante o exercício?+

O mentol, composto presente na hortelã, ativa receptores sensoriais nas vias aéreas que dão uma sensação de 'ar mais fresco' e desobstrução, mesmo sem alteração real e significativa no fluxo de ar. Essa sensação pode reduzir a percepção subjetiva de falta de ar ou esforço, o que teoricamente ajudaria o atleta a manter o ritmo por mais tempo — mas o efeito é mais sensorial/perceptivo do que uma mudança fisiológica robusta comprovada.

Existe algum risco em usar hortelã antes do exercício?+

Para a maioria das pessoas, consumir hortelã em chá, mascar a folha ou usar óleo essencial diluído por inalação é seguro. Óleo essencial concentrado não deve ser ingerido diretamente sem orientação, pois pode irritar mucosas. Pessoas com refluxo significativo às vezes relatam piora dos sintomas com hortelã, já que ela pode relaxar o esfíncter esofágico inferior.

Vale a pena usar hortelã em vez de cafeína antes do treino?+

Não são comparáveis em nível de evidência. A cafeína tem décadas de pesquisa robusta como recurso ergogênico, com efeito consistente e mensurável em múltiplos tipos de exercício. A hortelã tem evidência preliminar e mais modesta, principalmente sobre percepção de esforço e conforto respiratório. Pode ser um complemento interessante e de baixo risco, mas não deve substituir estratégias com evidência mais forte.

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