Os alimentos ultraprocessados atacam seus ossos e suas vértebras


Os alimentos ultraprocessados podem retardar o crescimento e enfraquecer os ossos

Cientistas investigaram o efeito que os alimentos ultraprocessados têm no desenvolvimento esquelético em uma pesquisa de 2021 com um modelo animal, publicada na Bone Research. Havia dois grupos de estudo, um que recebeu uma dieta padrão para ratos e o outro, uma dieta semelhante à ocidental padrão, rica em alimentos ultraprocessados e refrigerantes.

Durante as seis semanas nas quais os pesquisadores mediram o peso corporal e o comprimento total do corpo, fêmur e vértebras lombares, os ratos tiveram acesso limitado a alimentos e bebidas. Quando a pesquisa começou, os animais tinham 3 semanas de vida, o que significa o período de crescimento de seis semanas antes da maturação sexual.

O ganho de peso foi menor, e o comprimento total do corpo e das pernas também foi muito menor no grupo que comeu alimentos ultraprocessados em comparação com o grupo controle, de acordo com os resultados dos exames. Embora o crescimento tenha sido subdesenvolvido no grupo experimental, tais animais ingeriram uma quantidade bem maior de calorias. A alimentação ultraprocessada retarda o crescimento, mas não devido a uma deficiência calórica, como os resultados sugerem.

O sistema de classificação NOVA divide os alimentos em quatro categorias diferentes, começando com os alimentos não processados ou pouco processados. Esses alimentos são vegetais, frutas, carne e laticínios, que você encontraria com facilidade fora dos supermercados. Eles são a base do que você usaria para cozinhar em casa.

O Grupo 2 inclui ingredientes culinários processados que você usaria para temperar ou adicionar a alimentos não processados. Mel, sal e óleos são exemplos desse grupo. Alimentos processados que possuem dois ou três ingredientes que podem ser usados para temperar ou conservar o produto compõem o grupo 3. Vegetais em latas ou vidros, oleaginosas com sal, carnes curadas e queijos são alguns dos exemplos desse grupo.

Por fim, o Grupo 4 contém alimentos e bebidas ultraprocessados, que são a maioria dos alimentos encontrados nas lojas de conveniência. Estes costumam ter cinco ou mais ingredientes e incluem produtos prontos para comer, como pizza, empanados de frango e sopas instantâneas além de sobremesas, bebidas com gás, sorvetes, batatas fritas, cereais matinais, barras energéticas e refeições em pó ou fortificadas.

A exposição na idade adulta pode aumentar o risco de fratura

Além disso, para avaliar as propriedades do osso trabecular e cortical, as vértebras e os ossos femorais foram examinados. Os parâmetros do osso trabecular no grupo experimental foram inferiores quando comparados ao grupo controle, de acordo com as descobertas.

Ao ser avaliada após seis semanas e após nove semanas durante a intervenção, a fração de volume ósseo diminuiu de maneira significativa. O número trabecular médio e a espessura do osso femoral também foram menores. Além disso, a separação trabecular se mostrou muito maior no grupo experimental na medição após seis semanas e nove semanas da intervenção, de acordo com as descobertas.

Esse número representa a distância média entre as trabéculas. Os riscos de fratura aumentam devido ao mau desenvolvimento ósseo e, de um modo curioso, alguns dos mesmos presentes no envelhecimento ósseo, de acordo com essas descobertas. A atrofia trabecular tem relação direta com a força do osso e a resistência à fratura, e é caracterizada pela redução do número, espessura e aumento da separação das trabéculas.

Pesquisadores descobriram ser “improvável que o tratamento substituísse as trabéculas que foram removidas ou restauraram a força biomecânica do esqueleto”, em uma pesquisa em que avaliaram o osso trabecular em adultos mais velhos. Os ossos trabeculares são circundados por uma densa camada externa de osso cortical.

A proporção dos dois varia dependendo da localização no corpo. Os ossos trabeculares têm uma rede de hastes e placas que são essenciais para a resistência óssea. Essa arquitetura tem "considerável mais força do que uma massa igual de osso sólido", na verdade.

É importante notar que a formação de novos ossos trabeculares continua até que o pico de massa óssea seja alcançado entre 30 e 40 anos em homens e mulheres, embora a pesquisa em destaque tenha demonstrado um desenvolvimento estrutural pobre do osso trabecular no fêmur e das vértebras durante o crescimento antes da maturidade sexual. Isso levanta o questionamento de como os alimentos ultraprocessados afetam o risco de desenvolver osteoporose em adultos mais velhos.

Os alimentos ultraprocessados prejudicam o microbioma intestinal

Por serem muito lucrativos, os alimentos ultraprocessados são vendidos de maneira agressiva pelos fabricantes. No entanto, como se pode ler no BMJ após a publicação de duas pesquisas que descobriram uma ligação entre alimentos ultraprocessados e o risco de morte e doenças cardiovasculares:

"... produtos que muitas vezes contêm altos níveis de açúcar, gordura e/ou sal, mas baixos níveis de vitaminas e fibras… representam cerca de 25-60% da ingestão diária de energia em muitos países, tratam-se de lanches industrializados e biscoitos, refrigerantes, cereais matinais, refeições prontas contendo aditivos alimentares, sopas de vegetais desidratados e produtos de carne e peixe reconstituídos."

Esse grupo de alimentos está relacionado a um aumento do risco de síndrome metabólica, obesidade, hipertensão e doenças cardiovasculares, de acordo com pesquisas anteriores. A base para essas mudanças metabólicas e da saúde pode residir no intestino. Essas comorbidades aumentam o risco de casos graves de COVID-19.

A ciência continua a revelar o efeito que sua alimentação tem no seu microbioma intestinal e a capacidade de seu microbioma intestinal de evitar doenças.

A diversidade do microbioma intestinal com microorganismos saudáveis é melhor capaz de apoiar seu sistema imunológico. De acordo com Tim Spector, professor de epidemiologia genética no King's College em Londres, isso se torna cada vez mais importante à medida que a COVID-19 se espalha pelo mundo.

O México usa uma estratégia única para reduzir o risco de obesidade

Os indivíduos com doenças cardiovasculares, diabetes e obesidade têm maior risco de contrair COVID-19 e apresentar quadros mais graves, como eu mencionei antes. Uma dieta rica em alimentos ultraprocessados e de conveniência contribui para essas condições, de acordo com o que indicam as evidências. Partes do México assumiram uma postura sem precedentes na proteção de seus jovens no fim de 2020.

Governadores em vários estados promoveram uma legislação que proíbe a venda de junk food para menores de 18 anos. O primeiro lugar a aprovar a proibição foi Oaxaca, seguido de perto por Tabasco. "Sei que pode parecer um pouco drástico, mas precisamos agir agora", afirmou Magaly López, legisladora do Congresso de Oaxaca, sobre a mudança para um repórter da NPR. "Os danos desse tipo de dieta são ainda mais evidentes devido à pandemia”.

O fato de uma doença infecciosa que afeta de modo desproporcional aqueles que sofrem de obesidade e doenças cardiovasculares é o que pode levar a um melhor reconhecimento e ação contra alimentos ultraprocessados quando essas mesmas condições contribuíram na última década para muitas das 10 principais causas de morte, sendo um paradoxo interessante.

O México também instituiu um rótulo de advertência na embalagem dos alimentos ricos em açúcares, gorduras trans, gordura saturada e calorias. As empresas receberam o prazo de até 1º de dezembro de 2020 para adicionar tais advertência e evitar o recebimento de multas.

Esses novos rótulos de advertência e proibições a junk foods encontraram uma "oposição gigantesca" dos EUA e da UE, de acordo com a Reuters. O México é o quarto maior consumidor do mundo de alimentos processados no mundo e o maior da América Latina.

O México levou a lei de rotulagem a um novo nível, afirmando que qualquer “produto com rótulos de advertência não pode conter personagens infantis, animações, desenhos animados ou imagens de celebridades, atletas ou animais de estimação em suas embalagens e os que contêm cafeína e adoçantes devem ter rótulos de advertência de que não devem ser consumidos por crianças".

Os alimentos ultraprocessados aumentam o risco de morte

Os alimentos ultraprocessados foram associados ao aumento do risco de doenças cardiovasculares e morte. Em uma de duas pesquisas publicadas no BMJ, os pesquisadores concluíram que o consumo de quatro ou mais porções diárias de alimentos ultraprocessados estava associado a um aumento relativo de 62% no risco de morte geral de morte, com o risco aumentando em 18% para cada porção adicional.

Mesmo após o ajuste para fatores de confusão conhecidos e uma segunda análise, os dados da segunda pesquisa revelaram que comer alimentos ultraprocessados aumenta o risco de doenças cardiovasculares. Os junk foods podem destruir seu metabolismo e afetar o controle do apetite de diversas formas.

Isso estimula uma resposta tão forte em seu cérebro que comer demais se torna fácil. Um dos junk foods mais viciantes do mercado são as batatas fritas, que atingem os três pontos de êxtase: devido ao açúcar da batata (às vezes pela adição de açúcar), sal e gordura.

Assim como os alimentos ultraprocessados se tornaram uma norma para muitos americanos, o mesmo aconteceu com as doenças crônicas, e isso não é coincidência. A comida que você ingere é um fator-chave que determina sua saúde e longevidade. Acredito que uma dieta com 90% de alimentos reais e 10% de alimentos processados pode fazer uma diferença significativa em seu peso e saúde geral, incluindo seus ossos, além de ser viável para a maioria das pessoas.

Além de eliminar os alimentos ultraprocessados e comer mais alimentos in natura, os alimentos de fermentação tradicional e os probióticos são os melhores meios de promover uma melhor saúde do seu microbioma intestinal.

Escolhas saudáveis incluem lassi (uma bebida indiana de iogurte), leite orgânico fermentado de vacas terminadas a pasto (kefir), soja fermentada ou natto e diferentes tipos de fermentações em conserva com repolho, nabo, berinjela, pepino, cebola, abóbora e cenoura.