Não é o colesterol que está te dando risco de doenças cardíacas


Não há evidências de que o colesterol influencie o risco de doença cardíaca


De fato, os autores da análise do Expert Review of Clinical Pharmacology apontam que o colesterol total foi, na verdade, uma das principais causas de aterosclerose. "É preciso haver resposta à exposição nos testes com fármacos redutores do colesterol", em outras palavras, os pacientes que mais apresentaram redução no colesterol total também deveriam ser aqueles que perceberam maiores benefícios. Infelizmente, esse não é o caso.

Uma revisão de 16 testes relevantes para redução do colesterol (estudos em que a resposta à exposição foi realmente calculada) mostrou que esse tipo de resposta à exposição não foi detectado em 15 deles. Além disso, os pesquisadores apontam que o único estudo que mostrou uma resposta positiva à exposição na redução do colesterol utilizou apenas exercício como tratamento.

Pacientes com colesterol total elevado também deveriam ter maior risco de morte por doença cardiovascular, mas os pesquisadores também não encontraram nenhuma evidência disso, apontando não tão sutilmente que essa é “uma ideia sustentada por revisões fraudulentas da literatura”.


Também não existe nenhuma ligação entre o LDL e as doenças cardíacas


O artigo da Expert Review of Clinical Pharmacology também derrubam alegações de que o LDL elevado causa aterosclerose e/ou doença cardiovascular. Assim como no colesterol total, se o LDL elevado fosse, de fato, responsável pela aterosclerose, então os pacientes com LDL elevado seriam diagnosticados mais frequentemente com aterosclerose, mas não são, e aqueles com os níveis mais altos teriam quadros mais graves de aterosclerose, mas eles não têm.

Os pesquisadores citam estudos mostrando "nenhuma associação" entre o LDL e a calcificação coronariana ou grau de aterosclerose. O mesmo vale para o LDL e a doença cardiovascular. De fato, um estudo que analisou quase 140.000 pacientes com infarto agudo do miocárdio descobriu que eles tinham LDL abaixo do normal no momento da admissão.

Ainda mais revelador, outro estudo, que originalmente havia relatado descobertas semelhantes, demonstrou uma redução ainda maior no LDL dos pacientes. No acompanhamento três anos mais tarde, eles descobriram que os pacientes com nível de LDL abaixo de 105 mg/dl (2 mmol/L) tiveram o dobro da taxa de mortalidade daqueles com LDL mais alto.

Curiosamente, os autores sugerem que essa relação inversa pode ser devido ao baixo LDL, aumentando o risco de doenças infecciosas e câncer, ambos os quais são causas comuns de morte.