• Ronaldo Gorga

Sintomas de deficiência de vitamina B12


Uma grande parte dos brasileiros, têm alguma deficiência de vitamina, uma das quais é a vitamina B12. A vitamina B12 (cobalamina) é solúvel em água, indispensável para uma boa saúde. É lamentável que muitos dos sintomas de deficiência imitam outras condições de saúde, por isso, costuma ser considerada a última, em uma variedade de problemas de saúde.

Existem quatro formas conhecidas da vitamina, incluindo metilcobalamina e 5-desoxiadenosilcobalamina, sendo metabolicamente ativas. Duas outras formas, hidroxocobalamina e cianocobalamina, tornam-se biologicamente ativas, após serem convertidas.

A vitamina B12 é uma vitamina essencial, o que significa que seu corpo não pode produzi-la. Em vez disso, você deve consumir em média 2,4 microgramas por dia de alimentos ou suplementos. Embora seja encontrado em uma ampla variedade de alimentos de origem animal, alguns especialistas estimam que 3,2% das pessoas com mais de 50 anos, são deficientes em vitamina B12, outros possíveis 20%, têm uma deficiência limítrofe e outros estimam que até 43% dos adultos mais velhos podem apresentar deficiência.

Embora afete um número significativo de pessoas, em sua maioria idosos e muitas vezes em países em desenvolvimento, é uma das condições mais negligenciadas. A vitamina B12 possui um papel vital em muitas funções do corpo. Por exemplo, é importante na criação de células sanguíneas e manter as células nervosas saudáveis.

A vitamina B12 também ajuda a prevenir anemia megaloblástica A vitamina é necessária para a saúde cardiovascular e cognitiva, ela ajuda a produzir hemoglobina, melhorar a força dos nervos e regular os níveis de homocisteína.

A homocisteína é um aminoácido produzido pelo corpo, que em grandes quantidades pode aumentar o risco de ataque cardíaco e derrame. Uma das funções da vitamina B12 é auxiliar na quebra da homocisteína no sangue. Quais sintomas podem ser considerado um aviso de que você ou um familiar pode ter deficiência de vitamina B12?

Níveis baixos de B12 podem ser perdidos

Seu médico pode considerar não testar seu nível, a menos que você tenha sinais reconhecíveis de deficiência de vitamina B12. No entanto, mesmo quando testado, as normas de soro nos EUA podem não atingir o esperado. Além disso, as necessidades individuais podem variar, então você pode ter sintomas de deficiência, até mesmo quando seus níveis séricos demonstrarem estar na faixa normal.

Os níveis séricos também podem ser alterados pela presença ou ausência de proteínas de ligação. Alguns testes sorológicos, identificam formas inativas de cobalamina, que escondem deficiências da forma ativa da vitamina.

Em vez disso, os pesquisadores recomendaram avaliar a deficiência por meio da medição de metabólitos, incluindo homocisteína, ou níveis de cobalamina ligada à holo-transcobalamina, que representa com mais precisão a forma ativa da vitamina.

As evidências sugerem que confiar nos níveis séricos de vitamina B12, pode desvalorizar de modo significativo, em até 50% a deficiência de tecido. Os níveis séricos podem ser mantidos enquanto a vitamina B12 é retirada do tecido. Isso significa que um valor acima do ponto de corte normal, não quer dizer ao certo que você tenha níveis adequados de vitamina B12 para o seu corpo usar.

Os pesquisadores deste estudo e outros especialistas sugerem várias outras maneiras de prever com mais precisão a deficiência potencial. Um método é observar o espectro de anormalidades metabólicas e sintomas clínicos em comparação com os níveis de homocisteína e MMA.

A deficiência de B12 pode ser uma causa desprezada de demência

Alguns dos sintomas da deficiência da vitamina B12, são distúrbios de saúde mental, incluindo depressão. Um estudo com 89 crianças e adolescentes com depressão, descobriu que aqueles no estado de depressão, tinham níveis “muito baixos” de vitamina D e B12, além disso, seus níveis de homocisteína eram “bastante altos”.

Em um estudo envolvendo 199 adultos com depressão, eles receberam suplementos de vitamina B12, junto com medicamentos antidepressivos e apresentaram uma melhora considerável nos sintomas da depressão. Além da depressão, baixos níveis de vitamina B12 foram associados a comprometimento cognitivo mínimo e demência e podem ser uma opção para melhorar os resultados dos pacientes.

Um estudo caracterizou o padrão cognitivo de adultos idosos com deficiência de vitamina B12 e comparou-o com aqueles que tinham doença de Alzheimer. Seus resultados sugeriram um padrão muito diferente em ambas as doenças.

Os pesquisadores descobriram que dos 19 indivíduos que tinham baixos níveis de vitamina B12, 12 deles tiveram uma melhora com o tratamento e sete continuaram a piorar. Os pesquisadores analisaram a avaliação neuropsicológica inicial dos dois grupos de pacientes e descobriram um perfil diferente entre aqueles que tinham uma forma de demência que respondia à suplementação de vitamina B12 e aqueles que não.

No grupo que respondeu à suplementação de B12, havia no começo mais problemas psicóticos e mais déficits no funcionamento executivo e concentração. No grupo que não respondeu à suplementação houve maiores problemas de linguagem e apraxia.

Os cientistas descobriram que os desafios do padrão de memória também diferiam, levando-os a acreditar que a deficiência de vitamina B12 pode ser diferenciada da doença de Alzheimer com uma avaliação psicológica completa.

Os cientistas reconhecem que os efeitos hematológicos e neuropsiquiátricos da deficiência de vitamina B12, podem não ocorrer de maneira sistemática. A verdadeira incidência de sintomas neuropsiquiátricos é desconhecida. Porém, dependendo da população em estudo e da determinação de deficiência da vitamina B12 utilizada pelos pesquisadores, a taxa pode variar entre 4% e 50%.

Teste para deficiência de vitamina B12 com declínio cognitivo

Já em 2009, o Dr. Ronald Devere, então diretor da clínica de distúrbios do paladar e olfato e também do centro de distúrbios de memória e doença de Alzheimer em Austin, Texas, recomendou orientações para avaliar os níveis de vitamina B12, folato, MMA e homocisteína no sangue para distinguir quem pode responder à suplementação de vitamina B12 ou ácido fólico para reduzir o comprometimento cognitivo.

Ele recomendou continuar usando a vitamina B12 e níveis séricos de folato, naqueles que apresentam alterações no funcionamento cognitivo. Além disso, ele definiu limites para medir MMA e homocisteína para determinar se a vitamina B12 sérica era um reflexo preciso do nível de vitamina.

Em um artigo publicado no Journal of Neuropsychiatry, os cientistas reconheceram que apenas um terço dos indivíduos com baixos níveis de vitamina B12 recebem suplementação adequada. Os pesquisadores alertaram que nas fases iniciais da terapia de reposição em pacientes com anemia megaloblástica, os médicos devem observar a queda dos níveis de potássio, o que pode resultar em morte precoce.

A administração de folato junto com a suplementação de vitamina B12 pode ajudar a corrigir de forma parcial a anemia megaloblástica. Por outro lado, eles sugerem que pode agravar a encefalopatia que pode estar presente na deficiência de vitamina B12.

Os médicos sugerem que o impacto devastador da demência no indivíduo e em sua família, justifica testes para deficiência de vitamina B12 e de modo possível, suplementação, visto que a deficiência em idosos é uma condição comum e ferramentas diagnósticas modernas, além de parâmetros neurofisiológicos, podem ajudar a melhorar o desempenho cognitivo.

Vitaminas B podem reduzir o risco dos piores agravantes do COVID

A vitamina B12 pertence a um complexo de vitaminas B, o qual os pesquisadores postulam que pode melhorar de maneira significativa os resultados do COVID-19. Um estudo de 43 pacientes com diagnóstico de COVID-19, internados no Singapore General Hospital no início de 2020 analisou a administração oral de vitamina D3, magnésio e vitamina B12, chamados de DMB, contra um grupo de controle que não recebeu terapia com DMB.

Os pesquisadores descobriram que apenas 17,6% necessitaram de oxigenoterapia durante a hospitalização, em comparação com 61,5% do grupo de controle. Dos pacientes que necessitaram de oxigênio no grupo DMB, dois foram admitidos na UTI, apenas um não foi. Do grupo controle que necessitou de oxigênio suplementar, todos foram internados na UTI.

As vitaminas B desempenham um papel significativo no funcionamento do sistema imunológico saudável. Além disso, o mesmo grupo de vitaminas desempenha um papel na redução dos efeitos graves de COVID-19, incluindo papéis na replicação viral, indução de tempestade de citocinas, imunidade adaptativa e hipercoagulabilidade.

Em um artigo publicado na revista Maturitas, os cientistas detalharam as várias maneiras que cada uma das vitaminas B pode afetar no tratamento dos sintomas do COVID-19. Em específico, para a vitamina B12, uma deficiência pode aumentar uma resposta inflamatória e elevar os níveis de homocisteína.

Essas ações podem desencadear disfunção endotelial, além de ativar uma cascata de plaquetas e coagulação que pode levar a coágulos sanguíneos.

A vitamina B12 é encontrada quase que de modo exclusivo, no tecido animal. Isso inclui alimentos como carne bovina, cordeiro, carne de veado, aves, ovos e laticínios. A levedura nutricional também é rica em vitamina B12, sendo recomendada para vegetarianos e veganos. Duas colheres de sopa fornecem 7,8 microgramas.

Um spray sublingual sob a língua ou injeções de vitamina B12, também são eficazes, pois permitem que a grande molécula seja absorvida de modo direto, na corrente sanguínea, evitando a necessidade de ácido clorídrico e fator intrínseco.