• Ronaldo Gorga

Será que tem teflon nos seus cosméticos?


PFAS são encontrados em produtos de cuidados pessoais de 28 marcas, abrangendo 200 produtos

O banco de dados Skin Deep, da EWG, por exemplo, tem uma lista de ingredientes e suas respectivas classificações de segurança de por volta de 75.000 produtos de cuidados pessoais e cosméticos. Os pesquisadores do EWG usaram esse banco de dados como base para seu estudo, que buscou identificar quantos desses produtos contêm Teflon ou outros PFASs.

No geral, 13 compostos PFAS foram encontrados em cerca de 200 produtos, de 28 marcas, incluindo maquiagens, protetores solares, xampus e cremes de barbear. O teflon, no entanto, foi o produto químico mais comum dessa classe, aparecendo em 66 produtos de 15 marcas Segundo o EWG:

"Além do PTFE, o EWG identificou uma sopa de letrinhas de outros produtos químicos fluorados nos produtos de higiene pessoal que avaliamos - PFH, OFPMA, PFD e outros. Não se espera que a absorção desses produtos químicos pela pele seja uma rota significativa de exposição, mas quando usados próximo aos olhos, a absorção pode aumentar, apresentando um risco maior.

Também pode haver variação significativa na absorção dependendo do tipo de PFAS usado nos produtos e dos outros PFAS presentes. Não se sabe o suficiente sobre os impactos desses produtos químicos na saúde. Até que haja mais estudos, o EWG recomenda que as pessoas evitem todos os produtos contendo PFAS, incluindo cosméticos e produtos de cuidado pessoal."

Cosméticos anti-envelhecimento que continham PFOA

Em 2015, a Campaign for Safe Cosmetics, com sede na Califórnia, teve produtos de empresas multinacionais de cosméticos testados por um laboratório independente em busca de produtos químicos tóxicos relacionados ao câncer de mama.

Três cremes anti-envelhecimento de marcas populares, como Garnier e CoverGirl, continham PFOA. "Como produtos químicos legados ao câncer acabam em nossos produtos de beleza?" perguntou o relatório. "A resposta é simples. Ninguém está tomando conta quando se trata da segurança de cosméticos ou produtos de higiene pessoal". Eles continuam:

"Devido às lacunas na lei federal, é legal para as empresas de cosméticos usarem quantidades ilimitadas de quase qualquer ingrediente, incluindo produtos químicos relacionados ao câncer, danos reprodutivos e de desenvolvimento, disfunção hormonal e outros impactos adversos à saúde, testes ou revisões pré-mercado por parte do FDA ...

Por si só, os produtos químicos em um único produto de consumo podem não causar danos. As pessoas são expostas o tempo todo a produtos químicos industriais das mais diversas fontes, incluindo cosméticos, todos os dias. A mulher americana média usa cerca de 12 produtos de cuidados pessoais por dia, resultando em exposição a até 126 produtos químicos apenas por parte desses produtos."

O motivo pelo qual as empresas optam por colocar Teflon em seus cosméticos é devido à sua fama: uma sensação lisa, escorregadia, que leva a uma superfície suave. No entanto, a maioria dos consumidores não está ciente de que, para obter esse benefício aparente, eles estão colocando em sua pele uma substância química que foi considerada um possível carcinógeno humano pela Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer (IARC), que faz parte da Organização Mundial de Saúde (OMS).

O PFOA já é objeto de pelo menos 3.500 reclamações de danos pessoais contra a DuPont, que o utiliza para fabricar o Teflon há décadas. Uma mulher que teve câncer renal após beber água contaminada com PFOA recebeu US$1,6 milhões em um processo.

PFOA é um importante poluente da água

Se você está se perguntando o quão tóxicos são o PTFE e os produtos químicos relacionados, considere que, uma vez no meio ambiente, o PFOA persiste e não se decompõe. De Michigan a Vermont, empresas que usam ácido perfluorooctanóico tóxico (PFOA) na fabricação de Tecidos contendo teflon e sapatos impermeáveis deixaram um legado tóxico: água e solo contaminados, que envenenam os residentes da área há décadas.

O problema é pior perto de fábricas de produtos químicos conhecidas e depósitos de lixo, mas mesmo se você viver em uma área que aparenta "limpeza", existe uma chance de que sua água possa estar contaminada com esses produtos químicos muito tóxicos.

De acordo com um estudo de Harvard de 2016, 16,5 milhões de americanos têm níveis detectáveis de pelo menos um tipo de PFAS em sua água potável, e cerca de 6 milhões de americanos estão bebendo água que contém PFAS em níveis iguais ou superiores ao nível de segurança estabelecido pela Agencia de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA, da sigla em inglês).

Embora suprimentos de água contaminados tenham sido encontrados em 33 estados, 75 por cento das amostras com níveis de PFAS elevados vieram de 13 estados: Califórnia, Nova Jersey, Carolina do Norte, Alabama, Flórida, Pensilvânia, Ohio, Nova York, Geórgia, Minnesota, Arizona, Massachusetts e Illinois.

Não é de se surpreender que os níveis mais altos de concentração de PFAS foram encontrados em bacias hidrográficas próximas a regiões industriais, áreas de treinamento de fogo militar e estações de tratamento de águas residuais.

Os fabricantes estão trocando o PFOA e o PFOS por outros produtos químicos tóxicos

Como os riscos de saúde e riscos de contaminação por PFOA e PFOS tornaram-se grandes demais para serem ignorados, alguns desses produtos químicos foram retirados de produção. No entanto, eles estão sendo substituídos por produtos químicos que não foram testados, e que podem ser muito prejudiciais. Além de utensílios de cozinha, roupas e cosméticos, outro grupo de produtos onde você verá PFASs inclui embalagens de fast food e embalagens de alimentos.

Os fabricantes americanos concordaram em eliminar o PFOA e o PFOS em 2011 devido a preocupações com sua segurança, mas outros países ainda os utilizam e algumas empresas ainda os utilizam na produção de embalagens de alimentos. Em um estudo, cerca de um terço das embalagens e recipientes de fast food continham flúor, o que sugere que produtos químicos perfluorados (PFCs) foram usados para dar ao papel uma superfície lisa, tornando-o resistente a óleos e gordura.

Cerca de 400 amostras de embalagens de alimentos de 27 cadeias de fast food nos EUA foram testadas entre 2014 e 2015. Isso incluiu embalagens da Jimmy John's, Quiznos, Starbucks, Chipotle, Chick-fil-A e Dunkin 'Donuts em Boston, Seattle, Washington DC, San Francisco e áreas da Grand Rapids. Em média, 33% deles continham flúor.

As embalagens de sobremesas e pães foram as mais afetadas, com 56% contendo flúor, ao passo que apenas 20% das amostras de papelão (como caixas de pizza e batatas fritas) foram afetadas.