• Ronaldo Gorga

Resveratrol pode ajudar a reparar danos à pele


Resveratrol pode favorecer na cicatrização de feridas

Os pesquisadores vêm investigando a anos, as propriedades do resveratrol para curar a pele. O foco do estudo mudou. Antes ele focava na demonstração de que o resveratrol possui um impacto positivo na cicatrização de feridas, agora tem o foco em tentar identificar os mecanismos específicos por meio dos quais os efeitos positivos ocorrem.

Em revisões realizadas em 41 estudos, o resveratrol demonstrou conseguir aumentar a granulação e a cicatrização de feridas, através de estudos realizados em animais, demonstrou também uma melhora na cicatrização cutânea, nas cicatrizes e no fotoenvelhecimento.

Em 2020, um estudo de laboratório demonstrou que o resveratrol aumentou a secreção de células-tronco mesenquimais de fatores de crescimento, onde melhorou a cicatrização de feridas de uma maneira dependente da dose. No mesmo ano, após revisar os benefícios do resveratrol na pele, os autores de outro artigo sugeriram que eles acreditavam no:

"As evidências mostram que o resveratrol tópico pode ser uma boa alternativa, não apenas para o cuidado diário da pele, mas também para a prevenção e o tratamento de várias doenças cutâneas."

A administração tópica de resveratrol em camundongos com diabetes tipo 2, melhorou as respostas químicas que se relacionaram com uma maior densidade de vasos sanguíneos, sugerindo que o resveratrol poderia promover a proliferação de células endoteliais em pessoas com diabetes.

O estudo realizado em 2021, publicado na Laboratory Investigation, procurou analisar um meio, em que o resveratrol é usado para regular o reparo da pele. Eles utilizaram, um modelo de laboratório e um de cicatrização de feridas em animais, por meio do qual avaliaram a viabilidade celular e a apoptose. O objetivo foi medir a correlação entre microRNA-212 (miR-212) e caspase 8 (CASP8).

CASP8 são casos de proteínas de cisteína, que estão envolvidas na apoptose e no processo de citocinas. miR-212 são moléculas de RNA não codificantes, de fita simples que possui um papel na regulação da expressão gênica.

Os pesquisadores mediram a área da ferida para determinar a eficácia do resveratrol na cura. Eles também descobriram que trouxe a proliferação e migração celular, aumentando o miR-212. Quando utilizado para tratar camundongos, o miR-212 obteve uma redução na cicatrização de feridas. Os pesquisadores descobriram com isso, que o resveratrol causava:

"… Facilidade na proliferação e migração celular em células HaCaT, tratadas com LPS, além de promover a cicatrização de feridas cutâneas em um modelo de camundongo, regulando o eixo miR-212 / CASP8."

Efeitos neuroprotetores apoiam a saúde do cérebro

O resveratrol é encontrado de forma natural, na casca das uvas, seja nas bagas azuis, roxas e em chocolate amargo. A evidência sugere que pode cruzar a barreira hematoencefálica. Esta é uma barreira natural que seu corpo utiliza para proteger o cérebro de substâncias que podem ter um efeito tóxico no sistema nervoso central.

Uma vez que o resveratrol pode atravessar a barreira hematoencefálica, ele pode ajudar a regular a inflamação do cérebro, que é um fator significativo no desenvolvimento de muitas doenças neurodegenerativas. De acordo com um relatório do Centro Médico da Universidade de Georgetown, dar resveratrol a indivíduos com Alzheimer ajuda a restaurar a integridade da barreira hematoencefálica e reduz a capacidade das moléculas imunológicas prejudiciais de se infiltrarem no tecido cerebral.

Ao diminuir a inflamação das células cerebrais, ele desacelerou o declínio cognitivo dos indivíduos, quando comparado a um grupo compatível de pacientes tratados com placebo com Alzheimer. Outro estudo realizado em animais envolvendo o resveratrol teve efeitos interessantes, incluindo aumento da atividade aeróbica, como o tempo de corrida, além da proteção contra obesidade, sendo esta induzida por dieta e resistência à insulina, também teve um efeito na função metabólica regulada e em uma saúde estável.

Melhorias na atividade aeróbia, redução na resistência à insulina e obesidade também são neuroprotetoras. Foi descoberto que o resveratrol suprime os efeitos inflamatórios em certas células cerebrais ao inibir diferentes citocinas pró-inflamatórias e moléculas sinalizadores importantes. Em um estudo posterior, os cientistas confirmaram que as propriedades anti-inflamatórias do resveratrol possuem efeitos neuroprotetores.

Também há dados comprovando que o resveratrol ajuda a limpar as placas do cérebro que levam ao mal de Alzheimer. Um estudo publicado na revista Journal of Biological Chemistry descobriu que o resveratrol exerce uma "potente atividade antiamiloidogênica".

Um estudo chinês realizado em animais também descobriu que o resveratrol pode reduzir o risco de demência vascular, sendo esta, a segunda forma de demência mais comum, depois do mal de Alzheimer. No entanto, ao contrário do Alzheimer, a demência vascular não é um produto da formação de placas no cérebro, mas sim de problemas no fluxo sanguíneo. Um estudo feito em 2010 revelou que a dose única pode melhorar o fluxo sanguíneo para o cérebro, seguindo as descobertas dos cientistas em 2017:

"...o resveratrol suprime a proliferação das células do músculo liso vascular, promove a autofagia, e vem sendo investigado no contexto da senescência vascular.

Modelos pré-clínicos demonstraram de maneira inequívoca, vários efeitos vasculoprotetores do resveratrol. Em ensaios clínicos, o resveratrol reduziu de maneira moderada a pressão arterial sistólica de pacientes hipertensos, além da glicemia em pacientes com diabetes mellitus."

Outros estudos mostraram que ele também ativa a autofagia e inibe a apoptose neuronal, trabalhando para melhorar a função cognitiva. Um estudo de 2020 realizado em humanos, mostrou que:

"...o consumo regular de resveratrol pode melhorar as funções cognitivas e cerebrovasculares em mulheres na pós-menopausa, com potencial para retardar o declínio cognitivo devido ao envelhecimento e à menopausa."

O resveratrol melhora a densidade óssea, açúcar no sangue e imunidade

Evidências sugerem que o resveratrol possui muitos outros benefícios para a saúde. Estudos demonstram que ele possui propriedades anti-inflamatórias, cardioprotetoras, antioxidantes e antienvelhecimento, além de propriedades quimioprotetoras. O fluxo sanguíneo adicional para o cérebro demonstrou que pode melhorar o aprendizado, o humor e a memória.

Um estudo de 2019 publicado na revista Nutrients também descobriu que ele ajuda na prevenção de doenças crônicas ou no atraso delas, através de várias vias imunológicas. Segundo os pesquisadores:

"...o resveratrol regula a imunidade, interferindo na regulação das células imunológicas, na síntese de citocinas pró-inflamatórias e na expressão gênica... tem como alvo a sirtuína, a adenosina monofosfato-quinase, o fator nuclear κB, as citocinas inflamatórias, as enzimas antioxidantes, além de... gliconeogênese, metabolismo lipídico, biogênese mitocondrial, angiogênese e apoptose.

O resveratrol pode suprimir a expressão dos receptores do tipo toll (TLR) e dos genes pró-inflamatórios. A atividade antioxidante do resveratrol e a capacidade de inibir as enzimas envolvidas na produção de eicosanoides contribuem para suas propriedades anti-inflamatórias."

O potencial de reforço imunológico gerou uma consequência na pesquisa, a respeito do possível efeito que pode ter sobre o câncer. Os pesquisadores escreveram que alguns dos mecanismos usados ​​pelo resveratrol que podem alterar o sistema imunológico incluem a redução dos efeitos do dano mitocondrial, a diminuição da ativação anormal das células T e o aumento das células assassinas naturais.

O resveratrol também influencia na densidade e qualidade óssea. Em mulheres, a osteoporose é considerada uma doença grave e generalizada após a menopausa. À medida que os ossos se tornam mais frágeis e porosos, eles ficam com maior risco de fratura. Dentre os indivíduos com mais de 50 anos, cerca de 50% das mulheres e 25% dos homens tem chances de ter uma fratura nos próximos anos.

Um estudo da Universidade de Newcastle em New South Wales, encontrou melhorias na densidade óssea em mulheres na pós-menopausa, que tomaram resveratrol. Os participantes tomaram 75 miligramas (mg) duas vezes ao dia ou um placebo por 12 meses. A densidade óssea foi medida com varreduras de absorciometria de raio-X de energia dupla, também chamadas varreduras DEXA.

Um autor do estudo disse que um pequeno aumento no colo do fêmur resultou em melhorias e em"uma redução na probabilidade de 10 anos de risco de fratura grave". Os médicos prescrevem hormônios de reposição e bifosfonatos para tratar a osteoporose, porém, como mencionado em um estudo em Nutrientes, seus efeitos colaterais podem ser tão perigosos que podem de superar os benefícios.

O composto também foi encontrado para realizar uma melhora no açúcar do sangue de pessoas com diabetes tipo 2. Após oito semanas de suplementação com resveratrol, a glicemia em jejum dos participantes diminuiu, a lipoproteína de alta densidade aumentou e os níveis de insulina melhoraram.

O estudo foi feito em 71 pacientes com sobrepeso, diabetes tipo 2 e um índice de massa corporal entre 25 e 30. Os participantes receberam 1.000 mg/dia de trans-resveratrol ou metilcelulose (placebo) durante oito semanas. Um segundo estudo com 56 participantes que tinham diabetes tipo 2 e doença coronariana, encontrou resultados otimistas. Os pesquisadores concluíram:

"O resveratrol reduziu a glicemia em jejum, a insulina e a resistência à insulina, além de aumentar de maneira considerável, a sensibilidade à insulina quando comparado ao grupo placebo. O resveratrol também aumentou de modo significativo os níveis de colesterol HDL e diminuiu a proporção colesterol total/colesterol HDL quando comparado ao grupo placebo."

Considere esses benefícios e procure uma fonte saudável de resveratrol

O resveratrol é um polifenol criado para aumentar a vida útil das plantas, promovendo a resistência doenças e a agentes estressores, mudanças drásticas no clima e excesso de luz ultravioleta. No entanto, embora as uvas sejam uma fonte de resveratrol, você não obterá os benefícios de neuroprotetores e antienvelhecimento ao beber vinho tinto.

Gregorio Valdez, Ph.D., é professor assistente no instituto Virginia Tech Carilion Research. Embora o vinho tinto tenha vestígios de resveratrol, ele se encontra em quantidades tão pequenas que seria impossível beber o suficiente para obter os benefícios. Além disso, como já escrevi antes, o álcool tem vários efeitos negativos significativos na sua saúde, incluindo sono, envelhecimento do cérebro e danos ao seu DNA.

Uma forma de obter os benefícios do resveratrol, é ingerindo uva muscadine, que contêm a maior concentração entre os alimentos, sobretudo na pele. Amoras e mirtilos são outras fontes boas.

Limite a ingestão a meia xícara por dia, porque a fruta também contém frutose. Um suplemento alimentar integral de resveratrol contendo pedaços de casca de uva muscadine é outra opção.